Você talvez já tenha ouvido o termo Unique Value Proposition (ou Proposta Única de Valor, em português). Mas você já se perguntou por que é importante a sua marca ter uma proposta de valor?
A resposta é, na verdade, bastante simples. A sua Proposta Única de Valor precisa responder só uma pergunta: por que um cliente deve escolher você e não um concorrente?
Falando assim parece fácil, né? O único problema é que a maioria das pessoas não sabe explicar o que suas próprias empresas fazem, de uma maneira simples.
A melhor maneira de resolver isso, então, é alinhar todo mundo e mostrar, de maneira clara e objetiva o que a empresa está tentando entregar para os clientes.
A Proposta Única de Valor é diferente da sua Missão, Visão e Valores
Lógico, são coisas que se conectam. Mas a ideia por trás do UVP é deixar claro o que você oferece e por que o cliente deveria te escolher. Missão, Visão e Valores ajudam nessa ideia, mas influenciam o consumidor de maneira diferente.
Sua missão, por exemplo, tem muito mais a ver com o seu propósito, seu objetivo. É uma coisa mais imaterial, filosófica.
A proposta de valor deve ser concreta e diretamente correlacionável com o produto ou serviço oferecido.
A Nike, por exemplo, tem como missão ”Trazer inovação e inspiração para todos os atletas do mundo”.
A proposta de valor da Nike by You, setor que permite a customização de alguns modelos da Nike, é ”A sua co-criação pessoal com a Nike começa aqui. Faça algo que ninguém nunca viu antes ao criar seu próprio tênis icônico com o Nike by You”.
Essa é, portanto, uma proposta única de valor específica de um serviço.
A ideia é dizer para o cliente que a Nike by You é a solução ideal para um problema (ter um tênis exatamente do jeito que você quer), de uma maneira que a missão da marca, por exemplo, não conseguiria deixar claro.
O que você precisa saber para criar uma proposta única de valor que funcione
Primeiro, é preciso entender a diferença entre UVP e USP (Unique Selling Proposition), já que ambas são muitas vezes usadas como sinônimos mas são coisas diferentes.
Sua UVP demonstra, como o nome diz, o valor que o cliente obtém ao comprar de você e por que ele deveria considerar comprar de você e não de um concorrente.
A USP é o que te destaca na hora de vender.
A USP costuma ser uma coisa menos tangente, enquanto a UVP deixa bem claro quais as vantagens reais do que você está vendendo. Por isso, não é raro que uma se baseie na outra e que, no fim, a USP seja usada para chamar a atenção do cliente logo de cara para, depois, a UVP encorage-o a agir.
Com isso a gente chega na grande pergunta:
O que uma Proposta Única de Valor precisa para ser boa?
São alguns itens:
- Ser concisa e fácil de entender;
- Facilmente lembrável;
- Deixar claro para o cliente o que ele vai obter ao comprar o seu produto ou serviço;
- Explicar como a sua oferta é diferente das alternativas.
Para comunicar, de maneira imediata, o valor que você oferece, ela precisa de três elementos básicos:
- Uma frase sucinta que chame a atenção e explique rapidamente o benefício principal que você oferece;
- Uma frase secundária que explique de maneira mais prática o que é o seu produto/serviço e como ele pode ser útil;
- Se possível, uma imagem, gráfico ou vídeo que ilustre o que você oferece e reforce a mensagem.
As categorias de propostas únicas de valor
A grande maioria dos frameworks que abordam Propostas Únicas de Valor aponta quatro categorias principais que funcionam para praticamente qualquer negócio:
1. Melhor qualidade
Existe uma frase famosa do Richard Branson, fundador da Virgin, que diz ”ser o melhor em alguma copisa é um ótimo modelo de negócio”. Pode parecer bobo, mas é a afirmação mais verdadeira que existe quando se trata de vender algo.
Se você tem o melhor produto da sua categoria, não existe muito mais o que ser dito. Tudo o que você precisa é que as pessoas conheçam você e vejam rapidamente por que você se destaca.
Existem marcas lendárias que, mesmo que você não seja o público-alvo, deve conhecer. Stradivarius, Steinway & Sons, Baccarat, Rolex. Eu não toco violino nem piano, nem tenho dinheiro para comprar um lustre da Baccarat ou um relógio da Rolex.
Mas eu sei que essas marcas são a definição de qualidade máxima no que fazem.
E não precisa ser uma marca de luxo para isso: Levi’s, Toyota, Ray-ban… Essa é a categoria das marcas que definem um padrão de qualidade a ser igualado.
2. Melhor custo-benefício
Essa é uma categoria ingrata porque muita gente confunde com ‘o mais barato possível’. Nem sempre isso é verdade. Um ótimo exemplo nesse caso é a Hering.
A Hering faz camisetas relativamente baratas e com uma qualidade reconhecidamente boa, o que não significa que não existam opções a preços mais baixos.
Fora do Brasil talvez até seria possível incluir a Toyota aqui, tendo em vista a fama mundial de ser uma montadora que faz carros confiáveis e bem construídos a um preço acessível mas, com o preço dos carros aqui, acho que não é exatamente o caso.
Alguns bons exemplos nacionais e internacionais são: Azul (companhia aérea), Ikea e Costco.
Fazendo um paralelo com a Rolex, cujo relógio mais barato custa em torno de 20 mil reais (usado), tanto a Casio, que tem relógios por menos de 200 reais, quanto a Seiko (cujos relógios custam a partir de 800 reais) são bons exemplos.
Eles são confiáveis, ironicamente mais precisos que muitos Rolex e, se bem cuidados, duram uma vida.
Óbvio, são propostas diferentes, com públicos-alvo diferentes. Mas é disso que se trata a proposta única de valor, afinal.
3. Luxo e Aspiração
É o espectro oposto do custo-benefício, basicamente. Aqui a ideia é promover um estilo de vida e experiências de luxo, propondo exclusividade e atendimento personalizado.
Marcas como Hermes, Gucci, Ferrari e, de novo, fazendo paralelos com marcas citadas nas outras categorias, Patek Philippe no caso dos relógios ou Emirates no caso das companhias aéreas, são definições de luxo.
4. Essenciais
Aqui não tem muito segredo. São bens de consumo básicos, que todo mundo precisa. É fácil pensar em marcas de comida ou produtos de higiene mas, quando nós pensamos em nichos de mercado, isso se torna um pouco menos óbvio.
O Jusbrasil, por exemplo, se tornou uma ferramenta indispensável para quem trabalha com Direito. De acordo com o próprio Jusbrasil, em 2022 foram mais de 30 milhões de usuários únicos por mês acessando o site.
Ele entra nessa categoria porque enquanto houver processos legais, haverá demanda por informações legais.
Para entender em qual categoria seu produto ou serviço se encaixa, é preciso ser muito claro com relação ao que você quer entregar para o consumidor.
Seus produtos e serviços são mais baratos do que os dos concorrentes? Sua marca é mais conhecida? Você atua em um segmento de luxo? O que você oferece é essencial para o nicho em que você atua?
Como criar a sua Proposta Única de Valor
Antes de mais nada, já ficou claro que você precisa entender profundamente a sua audiência, o que você oferece, o que os concorrentes oferecem e como o seu produto ou serviço se encaixa na vida do cliente.
Mas onde a maioria das pessoas erra é aqui: basear a UVP no que elas acham que sabem.
Você precisa basear a UVP em pesquisas e testes. Só assim é possível ter certeza que você está mirando no público certo.
Comece consultando seus clientes atuais (de preferência filtre os seus clientes ideais) sobre quais as motivações que os levaram a comprar de você.
Tente entender o que eles pensam sobre os seus concorrentes, quais as faixas de preço que eles estão dispostos a pagar e por que a sua solução foi a melhor para eles.
Tente entender, também, sobre os clientes dos seus concorrentes. Analise reviews, dê uma olhada nas redes sociais deles, site, preços… Descubra o que puder.
Essa pesquisa tem como objetivo responder uma pergunta: o que o seu produto ou serviço faz melhor do que qualquer concorrente?
Aqui, o ponto crucial é que esses diferenciais não podem ser facilmente copiáveis. Oferecer frete grátis ou parcelamento, por exemplo, é um diferencial legal.
Mas qualquer concorrente consegue oferecer rapidamente se descobrir que esse é o único motivo pelo qual você se destaca.
Mapeie sua proposta de valor

Comece pelo perfil de consumidor.
- Ganhos: o que os consumidores esperam (e precisam) de você quando compram seu produto ou serviço?
- Tarefas: quais tarefas seus clientes precisam cumprir através do seu produto ou serviço?
- Dores: Quais experiências negativas ou riscos um consumidor pode encontrar tentando cumprir essas tarefas?
Passe, então, para o outro lado do mapa. Aqui você vai colocar o que o seu produto ou serviço tem a oferecer:
- Criação de ganhos: quais funcionalidades ou benefícios agregam valor para os seus clientes?
- Solução de dores: como o seu produto ou serviço ajuda os consumidores a superar dores?
- Produtos e serviços: Quais produtos e serviços você oferece e que podem sanar o máximo de dores e oferecer o máximo de ganhos para os clientes?
Organize esses elementos entre ‘vantajosos’ e ‘essenciais’.
Se você vende cerveja, por exemplo, é essencial oferecer uma gama grande de rótulos que atendam todos os gostos. Isso é essencial.
Vender, em conjunto, os copos ideais para cada estilo de cerveja é legal, mostra que você se preocupa com a experiência do cliente e que entende do assunto. Mas não é essencial para o seu negócio funcionar.
À partir do momento em que você mapeia uma resposta para cada uma das maiores dores e ganhos esperados dos seus clientes, você tem uma proposta de valor coesa.
Finalmente, escreva a sua Proposta Única de Valor
Agora que você já sabe quais os diferenciais que a sua marca tem para se destacar em meio à concorrência, é possível escrever uma UVP.
Uma das fórmulas mais famosas de UVP foi criada por Steve Blank:
Nós ajudamos X a Y através de Z.
Essa fórmula ajuda a sua marca a enfatizar benefícios (Z) que ajudam a solucionar dores (Y) de um público-alvo (X).
Se aplicada à Traction, por exemplo, teremos:
Nós ajudamos empresas a atingirem o seu máximo potencial de mercado através de estratégias de comunicação e geração de receita.
Existem outras fórmulas, como a proposta por Geoffrey Moore no livro Atravessando o Abismo:
Para (o público alvo) que (dor ou oportunidade), nosso (produto ou serviço) é (uma categoria de produto) que (benefício).
Parece confuso, eu sei. Mas a mesma proposta acima ficaria assim:
Para gestores que não conseguem tracionar seus negocios com serviços de marketing operacionais, nossa consultoria em Marketing Estratégico te ajuda a atingir o seu máximo potencial de mercado.
Obviamente, esses são só exercícios criativos. Você pode compor a sua UVP da maneira que quiser. A ideia aqui é usar esses modelos para articular a sua proposta e pensar em como transmitir essa ideia de maneira sucinta.
O segredo da UVP é ser transparente e claro
Você precisa, no fim, ser claro com relação a onde o seu negócio se encaixa no espectro entre os concorrentes.
Se você não souber transmitir isso da maneira correta, é bem possível que tenha problemas para adquirir novos clientes.
Do lado de fora sempre vai ter alguém melhor que você, seja em custos, em preço, ou em customização da experiência para atingir os critérios do consumidor.
Do lado de dentro da empresa, diversos problemas podem surgir à partir de uma proposta de valor confusa.
Diferentes necessidades precisam ser atendidas para vender efetivamente para diferentes públicos. Diferentes métricas precisam ser analisadas ao definir KPIs, dependendo do seu posicionamento.
Estratégia requer fazer escolhas seguindo uma lógica, comunicação clara e gerenciamento de performance coerentes. O momento da verdade é na definição da UVP.
Clareza na definição da sua Proposta Única de Valor vai ajudar, sobretudo, os seus setores de vendas e marketing. Mas a verdade é que toda a companhia se beneficia ao saber, com clareza, no que focar.


